Toda terça-feira de manhã, a repórter Júlia Campos percorre uma feira de bairro e, na sequência, visita um supermercado a menos de um quilômetro de distância. O ritual se repete em 18 capitais com a ajuda de colaboradores locais. O objetivo é simples: responder à pergunta que nossos leitores fazem toda semana — vale mais a pena comprar hortifrúti na barraca ou na gôndola?
Em junho, a resposta inclina para a feira em 12 das 18 cidades pesquisadas. Tomate, cebola e batata — os três itens mais comprados segundo nossa enquete com leitores — custaram em média 14% menos nas barracas de rua do que nas prateleiras refrigeradas dos mercados. A diferença varia: em São Paulo, o tomate italiano saiu a R$ 5,80 o quilo na feira da Vila Mariana e R$ 8,49 no supermercado vizinho. Em Salvador, o gap foi menor, de 6%, porque a safra baiana está em ponto de colheita abundante.
Por que a feira ganha em junho
A safra de inverno no Sudeste e Centro-Oeste trouxe volume extra de hortaliças de folha e raízes. Feirantes compram direto de produtores da região metropolitana, sem passar por centros de distribuição que embutem margem e custo de refrigeração. "Na feira, o tomate que não vendeu hoje volta amanhã com preço menor. No mercado, vira perda ou promoção relâmpago", explica Dona Neuza, feirante há 28 anos no Rio de Janeiro.
Outro fator é a concorrência visual: dezenas de barracas lado a lado obrigam o produtor a manter preço competitivo. No supermercado, a etiqueta muda com mais lentidão porque depende de contratos com fornecedores e de reposição programada. Quando o atacado sobe, o varejo demora uma ou duas semanas para repassar — e demora o mesmo para baixar quando o atacado cai.
Há exceções importantes. Em Brasília, onde feiras são menos numerosas e a logística depende de caminhões vindos de Goiás, o supermercado ficou 3% mais barato para batata e cenoura. Em Manaus, a feira vence no tomate, mas perde na banana — fruta que viaja mal na Amazônia e chega mais cara às barracas por causa do transporte fluvial.
Quando o supermercado compensa
Nem toda compra na feira é automática economia. Produtos higienizados, embalados e com rastreabilidade custam mais na origem, e isso se reflete no preço. Para famílias que priorizam praticidade e padronização — peso certo, validade impressa — o mercado pode valer a diferença, especialmente em itens que duram mais na geladeira.
- Compre folhas e temperos na feira no dia do consumo.
- Reserve o supermercado para enlatados, grãos e itens de marca.
- Compare sempre o preço por quilo; barracas costumam exibir a unidade.
- Leve sacola retornável — algumas feiras cobram embalagem.
- Vá nos primeiros horários para pegar mercadoria fresca e negociar sobra.
Gasolina e estacionamento também entram na conta. Nossa planilha inclui o custo médio de deslocamento: em bairros periféricos onde a feira é a pé e o supermercado exige ônibus ou carro, a economia da barraca cresce. Já em condomínios com mercado no térreo, a diferença pode ser irrelevante frente ao tempo gasto.
Relatos da comunidade
Recebemos dezenas de mensagens de leitores que dividem a compra entre feira e mercado. Maria, de Belo Horizonte, conta que passou a ir à feira só aos sábados e reduziu a conta de hortifrúti em R$ 85 por mês. "Antes eu comprava tudo no mesmo lugar por preguiça. Hoje separo: frescos na barraca, despensa no atacarejo de quinzena", diz.
Outro leitor, de Recife, alerta para a qualidade: "Feira barata que vende produto murcho não compensa se você joga metade fora." Por isso o Preço Brasil recomenda observar firmeza, cor e cheiro — critérios que valem mais do que alguns centavos de diferença no quilo.
Na próxima semana, ampliaremos a pesquisa para incluir aplicativos de entrega de hortifrúti. Se você quiser indicar feira ou mercado na sua cidade para entrarmos na rota, escreva para [email protected].