Cesta básica

Arroz e feijão: por que os grãos voltaram a subir em junho

Ilustração representando a cesta básica brasileira com grãos e alimentos essenciais

A cesta básica medida pelo Preço Brasil registrou alta de 2,4% na semana encerrada em 12 de junho, puxada principalmente por arroz, feijão e óleo de soja. O levantamento cobre 18 capitais e compara preços de prateleira em supermercados de bairro, mercados municipais e atacarejos — sempre no mesmo dia da semana, para manter a comparabilidade entre cidades.

Em São Paulo, o pacote de arroz tipo 1 de cinco quilos subiu de R$ 24,90 para R$ 26,50 em média, um aumento de 6,4%. No Rio de Janeiro, a variação foi ainda mais acentuada: 7,1%. Já em Belo Horizonte e Curitiba, os reajustes ficaram na casa de 4% a 5%. O feijão carioca acompanhou a tendência, com alta média de 3,8% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

O que explica a alta dos grãos

A estiagem prolongada no Mato Grosso e em parte do Goiás reduziu a produtividade das lavouras de segunda safra. Produtores relatam perdas de até 15% em algumas áreas, o que pressiona o preço na origem. O dólar estável nas últimas semanas não compensou o efeito climático: o custo de produção subiu com irrigação emergencial e frete mais caro para escoar a colheita menor.

Distribuidores consultados pela redação dizem que o estoque de segurança — aquele colchão que segurava preços nos meses anteriores — está se esgotando. "O mercado atacadista já refletiu o repasse. O varejo está ajustando etiqueta agora", explica Carlos Vieira, comprador de uma rede regional com lojas no interior paulista. Segundo ele, a tendência é de mais uma rodada de reajustes nas próximas duas semanas, caso não chova o suficiente nas áreas produtoras.

O óleo de soja, outro item sensível da cesta, subiu 1,9% em média nacional. A alta está ligada à valorização da commodity no mercado internacional e ao custo de embalagem, que encareceu com o petróleo mais caro no início do mês. Para famílias que consomem dois litros por semana, o impacto mensal pode chegar a R$ 6,00 — valor pequeno isoladamente, mas significativo quando somado aos demais itens da despensa.

Raio-x por região

No Nordeste, a situação é mista. Arroz e feijão subiram em Recife e Salvador, mas Fortaleza registrou estabilidade graças à proximidade com portos de importação. No Norte, Manaus sentiu mais o frete: o pacote de arroz chegou a custar 12% acima da média nacional, reflexo da logística fluvial e aérea que encarece produtos perecíveis e a granel.

No Sul, o clima favorável à soja e ao milho ajudou a segurar parte da pressão. Porto Alegre e Florianópolis tiveram alta abaixo de 1,5% na cesta como um todo, embora o leite longa vida tenha subido por causa da entressafra leiteira. É um lembrete de que inflação de alimentos raramente se move na mesma direção em todo o país ao mesmo tempo.

  • Sudeste: +2,8% na cesta monitorada
  • Centro-Oeste: +3,1%
  • Nordeste: +1,9%
  • Sul: +1,4%
  • Norte: +2,6%

O que fazer na hora das compras

Nossa redação conversou com nutricionistas e educadores financeiros para montar recomendações práticas. A primeira: comparar preço por quilo ou por litro, não pelo tamanho da embalagem. Muitas vezes o pacote de um quilo parece mais barato, mas o custo unitário é maior. A segunda: aproveitar feiras de bairro para hortifrúti e reservar o supermercado para itens de despensa com validade longa, onde o estoque em casa permite esperar uma promoção.

Terceiro ponto: marcas próprias de arroz e feijão ganharam qualidade nos últimos anos e costumam custar 15% a 20% menos que as líderes. Em degustações cegas organizadas por associações de consumidores, a diferença de sabor foi considerada mínima na maioria dos casos. Por fim, evitar o desperdício é a forma mais eficaz de combater a inflação doméstica — o IBGE estima que cada família brasileira joga fora alimentos que representariam centenas de reais por ano.

O Preço Brasil continuará monitorando a cesta semanalmente e publicará atualização na próxima quinta-feira. Se você notou variação diferente na sua cidade, envie o relato para [email protected] — usamos essas pistas da comunidade para calibrar nossas rotas de apuração.

Retrato de Roberto Mendes
Roberto Mendes

Editor de economia do consumo no Preço Brasil. Há 12 anos cobre varejo e inflação de alimentos em veículos regionais. Formado em jornalismo pela USP.